Saúde da Mulher, Em Conversa com a Especialista

NÃO ÉS TU. É A PROGESTERONA.

“Explodiste com a pessoa que mais amas esta semana. Não foi a primeira vez este mês. E se ninguém te disser porquê, não vai ser a última, porque isto não é o teu feitio, é uma hormona que está a desaparecer da tua vida sem aviso.”

Há um momento que se repete quase todas as semanas no consultório da Dra. Helena Martins. Uma mulher senta-se, hesita, e depois diz qualquer coisa como: “Não sei bem porque estou aqui. Não é nada grave. É só que... já não me sinto eu.”

“Uma das frases que mais ouço no consultório é exatamente esta, 'não me reconheço'”, conta a Dra. Helena. “Não vêm com uma queixa médica no sentido clássico. Vêm porque sentem que alguma coisa mudou nelas, e ninguém lhes explicou o quê.”

Dra. Helena MartinsDra. Helena Martins · Ginecologista

“Ao longo dos anos, percebi que a maior parte destas mulheres já passou por vários médicos, já fez análises que voltam 'normais', e continua sem resposta. Isso não significa que não haja nada a explicar. Significa que estamos a fazer as perguntas erradas.”

Cozinha, fim de noite

Cozinhaste o jantar. Geriste os trabalhos de casa dos miúdos. Respondeste a três mensagens da tua mãe enquanto mexias o tacho.

Sentaste-te dois minutos. Ele pergunta, do sofá: “o que há para sobremesa?”

E alguma coisa em ti explode, desproporcional, imediata, mais forte do que a pergunta merecia. Não disseste nada. Voltaste para a cozinha. E ali, sozinha, veio a vergonha.

Mesa de jantar

“Reconhece isto? Não é caso único”, diz a Dra. Helena. “O que observo frequentemente é precisamente este tipo de episódio, uma reação que a própria mulher sente como desproporcional, seguida de vergonha, porque não reconhece a intensidade do que acabou de sentir.”

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Patrícia, clientePatrícia · 49 anos · Lisboa · Cliente verificada

“O meu marido reparou antes de mim.”

Acordava às 3h quase todas as noites e tudo me irritava. Algumas semanas depois senti-me mais calma. O meu marido foi o primeiro a dizer que algo tinha mudado.

Manhã, mochila

Foi esta manhã, quando o teu filho não encontrava a mochila e faltavam sete minutos para saírem de casa, e a tua voz saiu mais alta e mais afiada do que alguma vez planeaste. Viste lhe na cara aquele segundo de choque.

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Carla, clienteCarla · 48 anos · Porto · Cliente verificada

“A minha filha voltou a falar comigo sem medo.”

Nunca sabia quando ia perder a paciência. Via o choque na cara dela e sentia-me péssima. Hoje sinto-me muito mais parecida comigo.

Mensagem às 22h

Foi a mensagem que enviaste à tua irmã às 22h, mais afiada do que devia, que apagaste e reescreveste três vezes antes de enviar, e mesmo assim ainda saiu errada.

Dra. Helena MartinsDra. Helena Martins · Ginecologista

“Muitas mulheres acreditam que isto é uma questão de personalidade, que estão a ficar 'mais difíceis', ou que perderam a paciência que tinham. Na prática clínica, o que vejo é quase sempre outra coisa. Um sistema nervoso que perdeu um dos seus reguladores naturais.”

O que está realmente a acontecer

“A maior parte das mulheres só ouve falar da perimenopausa quando os ciclos começam a mudar, ou quando chegam os primeiros afrontamentos”, explica a Dra. Helena. “Mas há uma queda hormonal que, em muitas mulheres, começa 8 a 10 anos antes da menopausa, e quase ninguém fala sobre ela.”

Não é o estrogénio. “É a progesterona que tende a cair primeiro”, diz. “É a hormona que normalmente funciona como amortecedor entre sentir alguma coisa e reagir a essa coisa. Quando começa a diminuir, esse amortecedor diminui com ela. Sem sintoma óbvio, sem aviso, sem ninguém dizer à mulher que está a acontecer.”

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Susana, clienteSusana · 51 anos · Braga · Cliente verificada

“Pensava que estava a tornar-me amarga.”

Chegava ao fim do dia sem energia e sem paciência para ninguém. Descobrir que havia uma razão para aquilo mudou tudo para mim.

Dra. Helena MartinsDra. Helena Martins · Ginecologista

“Não é o teu feitio. Não é seres 'mais stressada ultimamente'. É um padrão hormonal com um mecanismo conhecido, e isso muda completamente como se aborda.”

Noite, deitada

E foi depois, deitada, com ele já a dormir ao teu lado sem fazer ideia de nada disto, a repetir a cena na tua cabeça: estou a tornar-me uma pessoa diferente?

“Não está”, diz a Dra. Helena. “Mas quase nunca alguém lhe disse isso a tempo, por isso continua deitada, sozinha, a carregar a pergunta.”

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Fernanda, clienteFernanda · 53 anos · Aveiro · Cliente verificada

“Voltei a reconhecer a mulher que era.”

Parecia que reagia antes de conseguir pensar. O meu marido dizia que eu andava diferente. O melhor de tudo foi perceber que não me tinha perdido.

O padrão que a Dra. Helena vê repetir-se

Segundo a especialista, este período costuma reunir um conjunto reconhecível de sinais. Nem sempre todos ao mesmo tempo, mas quase sempre mais do que um.

Afrontamentos. Sono interrompido, mesmo sem motivo aparente. Irritabilidade que surge sem aviso. Cansaço que o descanso não resolve. Nevoeiro mental, dificuldade em encontrar palavras, em manter o foco. E, por trás de tudo isto, a sensação difusa de já não se sentir a mesma pessoa.

“Isoladamente, cada sintoma parece pequeno”, diz. “Juntos, formam um padrão muito claro para quem já o viu centenas de vezes. O problema é que a maior parte das mulheres nunca teve a oportunidade de ver o padrão, só vive um sintoma de cada vez, sem ligação entre eles.”

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Marta, clienteMarta · 52 anos · Coimbra · Cliente verificada

“Parei de pedir desculpa todos os dias.”

Explodia por coisas pequenas e depois passava horas a sentir culpa. O mais difícil era não me reconhecer. Hoje sinto que voltei a ter controlo sobre mim.

O que a maioria já tentou, antes de perceber

“O que observo frequentemente”, conta a Dra. Helena, “é que estas mulheres já tentaram gerir isto sozinhas, muito antes de perceberem que não é uma questão de força de vontade. Respirar fundo antes de responder, prometer a si mesmas fazer melhor da próxima vez, culparem-se em privado sem nunca dizerem a ninguém o quanto isto as assusta.”

“Não é que não tenham tentado. É que tentaram controlar com força de vontade algo que tem origem hormonal, e força de vontade não compete com uma queda de progesterona.”

Uma forma de apoiar este período

“Não trato esta fase como um problema a 'curar'”, esclarece a Dra. Helena. “Trato a como um período que merece o suporte certo, e há formas simples de dar esse suporte ao corpo enquanto ele se reequilibra.”

Entre as opções que tem visto mais mulheres escolherem está uma combinação de Açafrão (apoio à estabilidade emocional e de humor), Magnésio Glicinato (suporte ao sistema nervoso) e Maca (equilíbrio hormonal e energia).

MENOVA Plena

“Não é uma promessa de que tudo muda da noite para o dia”, diz a Dra. Helena. “É um apoio para um corpo que está a passar por uma fase real e temporária, o tipo de suporte que estas mulheres deviam ter tido explicado há anos.”

Se alguma parte desta conversa te soou familiar, não estás a imaginar coisas, e não estás sozinha.

Quero perceber o que a Dra. Helena recomenda observar primeiro →

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